Homenagem Ana Paula

Nos seus 20 anos de história, o INDEC teve a oportunidade de atuar de forma decisiva no processo de construção da cidadania de muitas pessoas. Muitas histórias podem ser contadas, e desta vez escolhemos contar a história da Ana Paula.

Falar da Ana é desafiador, mas, ao mesmo tempo, é muito prazeroso. É desafiador porque resumir em poucas linhas tantos acontecimentos pode tornar superficial tudo pelo que ela passou. Mas o prazer de ver o caminho percorrido até aqui e ver o quanto a união e a solidariedade têm o poder de transformar outras vidas supera este anseio.

A Ana entrou no BDMG como faxineira há 11 anos. Aqui ela encontrou um ambiente cordial e hospitaleiro, o que não seria difícil para uma pessoa com sorriso fácil, que expressa gratidão em cada olhar.

Mas, algum tempo depois, ela e seus três filhos viram sua casa ser destruída pelas fortes chuvas que caíram em Belo Horizonte. Não sobrou absolutamente nada para contar a história: roupas, sapatos, geladeira, móveis, tudo estava perdido.

Desabrigados e com poucos recursos, encontraram uma rede de solidariedade que pareceu não ter mais fim. Seus filhos foram acolhidos pelos vizinhos nos dois meses que se seguiram. Bruno Dolabela, um dos engenheiros do Banco, foi até à sua casa e deu todas as orientações técnicas necessárias à reconstrução. Diversas pessoas do BDMG contribuíram com dinheiro, roupas e material de limpeza. O telhado da casa foi comprado de uma só vez com os recursos doados. E por meio do INDEC, a família conseguiu obter itens necessários à melhoria do seu conforto. Tudo o que lhe foi necessário foi cedido.

Dois meses depois, a Ana pôde entrar novamente em sua casa.

Mas não parou por aí.

Toda esta movimentação em torno da sua necessidade despertou muitas pessoas no Banco para o seu talento de cozinheira. E ela passou a ser contratada para prestar serviços de buffet. Algum tempo depois, surgiu uma oportunidade e ela veio a se tornar auxiliar de cozinha no restaurante do Banco.

Ricardo, encarregado de limpeza, a instigou a prestar o ENEM para que pudesse concluir o ensino médio. Ela fez a prova e conseguiu obter a nota necessária! E com este diploma ela entrou no curso de gastronomia da Estácio, com apoio de colegas do BDMG.

Sua filha mais velha casou-se há algum tempo e seu filho do meio, hoje com 22 anos, concluirá no final deste ano o curso de educação física. Ele passou em 4º lugar no concurso do Governo do Estado para professor.

A Ana agora está deixando o Banco. E o que poderia ser um momento de tristeza e insegurança está sendo coroado com a abertura de um restaurante self-service no bairro onde ela mora.

Isso mesmo, ela se tornou uma empreendedora!

A história da Ana nos ensina muitas coisas, mas o que mais nos marcou foi quando ela nos disse: “é tão bom quando a gente está precisando e alguém te estende a mão. Às vezes nem é tudo o que você está precisando, mas uma coisinha que a pessoa faz te dá ânimo para você ir à luta e voltar a acreditar”.

O INDEC agradece a todos e todas que vêm contribuindo com o Instituto durante todos estes anos. E agradece em especial à Ana, por compartilhar conosco a sua história e nos mostrar que há muitas Anas por aí, que precisam apenas de um apoio para transformarem as suas vidas. É por isso que o esforço de cada um vale a pena!

Texto: Sarah de Castro
Fotógrafo: Gael Benitez (Projeto Mulheres Inspiradoras do BDMG)

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